segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Parte 8



-Escuta aqui, sua pestinha - Dizia Donovan, não sabendo mais se controlar. -Você vai tirar seu pezinho lindo daí. Agora.

A garota parecia não apenas alheia ao que dizia Donovan, parecia divertir-se em ignorá-lo. Ela espichava-se dentro da pequena caminhonete como tivesse acabado de acordar, e agora tinha um dos pés dançando alegremente no painel do veículo, enquanto o outro insistia em seu colo, e Donovan bem imaginava o que aquela movimentação iria acabar provocando. Ainda mais com aqueles olhos esverdeados e peraltas, oblíquos a fitá-lo. Olhos sorridentes.

-Não, acho que não - Dizia com seu sorriso ainda presunçoso - Aqui tá tão bom...

Donovan então decide afastar o pé da menina à força, que vez após outra aninha-o no mesmo lugar de antes, deixando o homem ainda mais nervoso, e ela divertia-se cada vez mais. Seus olhos pareciam cintilar de uma alegria perversa e adoravelmente irritante. Ela não oferecia resistência alguma, pelo contrário, fazia com que ele lançasse sua perna longe, o bastante para que evocasse alguma visão constrangedora.


-O que você quer para me deixar em paz? - Dizia ele, cansado, com o cotovelo para fora e olhando pela janela, em lugar de encarar a garota e ignorando sua "massagem" o quanto podia, já que a força parecia não surtir efeito.
-Vai me dar qualquer coisa que eu pedir? - Pergunta, pondo-se momentaneamente sentada, ou algo perto disso, já que estava espichada de tal forma que não podia ficar ereta apenas apoiando-se nos braços.

-Não. Qualquer coisa não. Não sou seu pai. Se for razoável, eu dou e você cai fora. Se não for razoável, você cai fora. Donovan volta seu olhar na direção da garota, que até deixou de importuná-lo com os pés e tentava se aprumar, sentada sobre um dos calcanhares.

-Como o quê, por exemplo? A menina pendia graciosamente sua cabeça para o lado, olhando o de soslaio com um sorriso discreto e maroto.

-Como... Nada, como é que eu vou saber? Só quero que você chispe daqui logo daqui.
-Sabe, eu adoro quando você dá uma de machão assim... Você é assim rude com todas, ou só comigo?
Donovan responde com uma expressão de séria ironia, ácida -Só quando estou prestes a me matar e tem uma pestinha me atrapalhando - e termina sua fala esbugalhando os olhos para que não houvesse dúvidas de que era dela que ele falava.

-Atrapalhando? EU? A menina espalmava a mão sobre o peito como se sua moral estivesse sofrendo alguma calúnia, e encarando Donovan com um olhar de inocência fingida, mas ainda assim tão... Gracioso...
-Que nada! Pisa fundo aí, tou mesmo doida pra tomar um banho gelado no lago de madrugada - Ela diz franzindo o cenho e semicerrando os olhos, fazendo biquinho e balançando a cabeça.

Donovan tenta então dar a ré na caminhonete, encolerizado, apenas para descobrir que o veículo não ia a lugar algum. Sem que ele se desse conta, a menina estava com a ponta do pé no pedal do freio, mas ele não tinha notado pois a menina aprisionava seu olhar com o dela. Ela riu ao perceber em quanto tempo ele levou até descobrir a sua traquinagem.

-Escuta aqui, sua... Donovan se censura -PESTE. Vai pra PORCARIA de sua CASA! Donovan então começava a forçar sua própria perna contra a da garota, a fim de expulsar seu pé do pedal de freio, mas sem sucesso. Ele começou dando empurrões, pancadinhas e depois com mais vigor, e por um momento ele achou que estivesse golpeando alguma peça de material duro e inamovível, olhando momentaneamente para baixo e constatando, confuso e surpreso - era mesmo só o pé da garota.

Esta, por sua vez, repousava o queixo sobre as mãos, sobrepostas a um canto do volante. Olhava-o com um beicinho involuntário e um olhar lânguido de testas franzidas. Parecia não se abalar, ao contrário de seu companheiro, que ao encontrar esse olhar sutilmente presunçoso, passou a golpear com mais força e despudor o pé da garota, que não esboçava reação alguma.
Atribuindo seu insucesso à posição desajeitada na qual se encontrava, ele resolve muda de tática, tomando novamente a panturrilha da garota com uma mão, depois as duas mãos grandes e rudes, puxando-a para fora com força. A menina continuava na mesmíssima posição, e ele puxou com toda a força de seus braços, e nada acontecia.


-Tsc tsc tsc... Como é que se diz? Desafia a garota.