terça-feira, 10 de junho de 2008

Parte 5

"Piiii" - soa o apito. Depois de voltas e mais voltas ao longo do aro, a bola finalmente encontra seu destino dentro do cesto. Três pontos. Ela sempre fazia isso.
'YAY!' - Grita em triunfo, com aquele típico gesto de puxar o punho em direção ao peito. Os demais olhavam, desanimados. Outra derrota para o time ginasial amador de St. Louis de basquetebol. O time vitorioso também não se portava com grande surpresa. Apenas atônitos como sempre, foram cumprimentar sua excepcional cestinha, que era considerada uma mascote pelo seu time. Com seus nove anos, ela ainda não podia competir oficialmente com seus colegas. Participava então dos treinos, todas as tardes. O time estava afiado, entrosado e ágil. Sua pequena estrela 'café-com-leite' limitava-se a devolver os rebotes, marcando cestas de três pontos debaixo de sua própria tabela. A marcação sobre ela era feroz, mas aquela pulga de 1,10m era muito ágil para aqueles aesires ginasiais, e ela usava cada abertura que surgia, seja quicando a bola ou arremessando diretamente.

"Valeu irmãzinha"; "Arrasou de novo" - Todos a afagavam, pegavam, apertavam-lhe as bochechas, a punham sobre os ombros. Era aquilo que ela adorava. Tá, isso também. A frustração engolida, o choro contido no banheiro, a decepção dos vencidos... só de ver aqueles peitos-de-pombo esvaziarem como bola murcha, ah! Como era gostoso colocar aqueles pretensos e orgulhosos quase-homens no chinelo! Se fosse só por isso, já valia a pena! Mas, ainda que um pouco assustados, seus companheiros a mimavam como a uma irmã mais nova.

"Alexa!" - Gritou o treinador - "Seus pais estão aqui para buscá-la!"

Alexa tremeu.

Não de novo! Por favor!

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