
Castigado na face, torso, alguns dentes perdidos...
Inspira, dolorido, a brisa gelada da madrugada. Dirige devagar, parando próximo ao lago...
Acende um cigarro. Nunca fumou na vida. Não pretendia começar agora. Era apenas para criar uma imagem de falsa dignidade, afinal até os condenados pediam um cigarro em seus momentos finais.
-"Argh. Isso fede!" - Deixa o cigarro aceso entre os dedos, deixando a fumaça tênue lentamente preencher a cabina da pickup.
A noite está linda. Ouve os grilos um pouco, e então abre o porta-luvas em busca da arma. Tateia, àquela luz feérica, e o que encontra parece bem diferente de sua expectativa:
-"Que porra é essa?" - A arma estava completamente retorcida, inutilizada. Examinava, perplexo - não havia como aquilo ter acontecido. Havia conferido a arma antes de sair, estava perfeita. Agora até mesmo a bala solitária estava aprisionada no tambor.
Murmurava, em tom baixo, palavras de estupefação em idioma estrangeiro. Não havia nada a se fazer. Sua noite, tão carinhosamente planejada, fora por água abaixo. Ainda que estivesse surpreso, tinha um palpite.
Pensou num plano B.
Manobrou a barulhenta pickup em direção ao pequeno cais de que o lago dispunha para atracar os botes. Alinhou com cuidado a trajetória que ainda existia só em sua cabeça. Sua mão foi à virilha: um último prazer? Não, não se sentia inclinado a isso. Suas conjecturas pareciam boas o bastante, e a surra que tinha levado a algumas horas pareciam satisfazer, também seu espírito.
Apertando os olhos com determinação cênica, passou a marcha e pisou no acelerador à toda velocidade.
-"Pare!"
Olhou para ver de onde vinha a voz. Pelo retrovisor, pôde notar a garota se revelar por trás dos apertados bancos traseiros. Freou!
Perguntou, com o olhar. Ela olhou de volta com outra pergunta; seus olhares eram iguais, de surpresa, de incompreensão, de indignação.
-"O que você 'tá fazendo aqui?"
-"Eu sabia! Ninguém é tão estúpido a ponto de ter uma bala só na arma! Até uma pessoa imóvel pode escapar com um tiro mal dado!"-Responde a garota.
O rapaz olha para o pedaço de metal retorcido que abandonou no banco do carona, e de volta à garota.
-"Isso é obra sua, não é?"
A garota meneia afirmativamente.
-"Eu vi que você estava armado na hora da briga. Tive medo de que fosse matar meu pai mais tarde, então esperei você guardar a arma no porta luvas e quebrei ela."
Suspirando ruidosamente, ele se reclina ao banco. A garota continua.
-"Que pessoa vai matar um homem com uma só bala, briga com três e vai embora de madrugada ferido e espancado?"
-"Seu palpite estava certo" - Acrescenta o homem diante dela -" Só uma pessoa pode dar um tiro com segurança completa..."
"Quando ela mesma é o alvo."
"Satisfeita?"
Inspira, dolorido, a brisa gelada da madrugada. Dirige devagar, parando próximo ao lago...
Acende um cigarro. Nunca fumou na vida. Não pretendia começar agora. Era apenas para criar uma imagem de falsa dignidade, afinal até os condenados pediam um cigarro em seus momentos finais.
-"Argh. Isso fede!" - Deixa o cigarro aceso entre os dedos, deixando a fumaça tênue lentamente preencher a cabina da pickup.
A noite está linda. Ouve os grilos um pouco, e então abre o porta-luvas em busca da arma. Tateia, àquela luz feérica, e o que encontra parece bem diferente de sua expectativa:
-"Que porra é essa?" - A arma estava completamente retorcida, inutilizada. Examinava, perplexo - não havia como aquilo ter acontecido. Havia conferido a arma antes de sair, estava perfeita. Agora até mesmo a bala solitária estava aprisionada no tambor.
Murmurava, em tom baixo, palavras de estupefação em idioma estrangeiro. Não havia nada a se fazer. Sua noite, tão carinhosamente planejada, fora por água abaixo. Ainda que estivesse surpreso, tinha um palpite.
Pensou num plano B.
Manobrou a barulhenta pickup em direção ao pequeno cais de que o lago dispunha para atracar os botes. Alinhou com cuidado a trajetória que ainda existia só em sua cabeça. Sua mão foi à virilha: um último prazer? Não, não se sentia inclinado a isso. Suas conjecturas pareciam boas o bastante, e a surra que tinha levado a algumas horas pareciam satisfazer, também seu espírito.
Apertando os olhos com determinação cênica, passou a marcha e pisou no acelerador à toda velocidade.
-"Pare!"
Olhou para ver de onde vinha a voz. Pelo retrovisor, pôde notar a garota se revelar por trás dos apertados bancos traseiros. Freou!
Perguntou, com o olhar. Ela olhou de volta com outra pergunta; seus olhares eram iguais, de surpresa, de incompreensão, de indignação.
-"O que você 'tá fazendo aqui?"
-"Eu sabia! Ninguém é tão estúpido a ponto de ter uma bala só na arma! Até uma pessoa imóvel pode escapar com um tiro mal dado!"-Responde a garota.
O rapaz olha para o pedaço de metal retorcido que abandonou no banco do carona, e de volta à garota.
-"Isso é obra sua, não é?"
A garota meneia afirmativamente.
-"Eu vi que você estava armado na hora da briga. Tive medo de que fosse matar meu pai mais tarde, então esperei você guardar a arma no porta luvas e quebrei ela."
Suspirando ruidosamente, ele se reclina ao banco. A garota continua.
-"Que pessoa vai matar um homem com uma só bala, briga com três e vai embora de madrugada ferido e espancado?"
-"Seu palpite estava certo" - Acrescenta o homem diante dela -" Só uma pessoa pode dar um tiro com segurança completa..."
"Quando ela mesma é o alvo."
"Satisfeita?"
3 comentários:
"Seu palpite estava certo - Acrescenta o homem diante dela - Só uma pessoa pode dar um tiro com segurança completa. Quando ela mesma é o alvo. Satisfeita?"
Sim, faz muito sentido. Agora, se me der licensa, antes de bater com este veículo na puta que o pariu, estou saindo. Depois me diga se a luz branca existe, ok?
Huahseiusahesiauehsauea xD juro que pensei isso quando terminei de ler 8D whatever. Bye.
Você começa descrevendo o lugar onde se encontra o personagem de forma que eu posso sentir como se estivesse ao lado dele, ouvindo os grilos e sentindo a brisa que ele sente.
Você escreve muito bem, até mesmo nas nossas conversas - com ou sem fundamento - pelo messenger. Um livro seu era algo que eu poderia prever e sei que fará isso de uma forma maravilhosa, não me resta dúvidas. Qualquer um poderá conferir isso lendo apenas um dos capítulos, apesar de achar impossível, por causar curiosidade. Fiquei com vontade de ter o livro pronto já, para n precisar ficar ansiosa na espera de um novo capítulo.
Além de muito inteligente, vc é um homem muito criativo. E eu gosto muito de você.
Desejo sucesso nesse comecinho de livro. Sei que você vai longe.
Um beijo grande.
Quero usar este espaço humilde para agradecer à gentileza dos amigos que, mesmo sem o perceber, me ajudam a cada passo dessa obra.
Agradecimentos à Drika, ela foi a primeira pessoa a ler e a deixar aqui a sua marca, e sua impressão. Foi ela quem me disse "continue, gostei bastante" quando eu achava que estava ruim. E nesse momento descobri que saber o que vcs pensam é muito importante para meus passos seguintes.
Agradecimentos à Halana "Kitsune" Hirano. Não por ser para mim a pessoa que representa, pois digo a ela todas as vezes em que a vejo. E a estima e confiança que deposita em mim, devolvo em dobro. Nestes termos, e pelo seu entusiasmo em todos os momentos, acredito que vc é a minha fã número um.
Agradecimentos ao misterioso visitante "Elite". Embora jocoso, seu comentário expressou como vê a garota (no momento certo saberão o nome), e este tipo de feedback é muito importante. Gostaria de ouvir mais sobre o que tem a dizer.
Agradecimentos a Adriano "Bidu", pois apesar de não comentar neste espaço, sempre me diz o que acha do texto, me ajuda com a revisão (alguns erros escabrosos)e sempre é o primeiro a ler quando eu posto uma novidade. Está comigo desde que comecei, e tem sido um bom incentivo.
Agradecimentos à Megara, que também não postou, mas que me ajudou um pouco nos conceitos ao expressar suas opiniões, mesmo tendo errado uns palpites sobre a natrureza das personagens. E que apesar de muito ocupada, com família formada e etc, acaba encontrando um tempinho para vir aqui e teclar comigo também. E, claro, pela estima também^^"!
Agradecimentos à Maianne-tensai-tan, apesar de sua memória biodegradável, ela é uma pessoa muito animada e parece ser uma fã confessa da 'garota da história' (detesto chamar ela assim!). Ela também escreve horrores (adjetivo positivo), e tantas outras coisas que ela faz bem. Tb adoro esta garota!
Agradecimentos à "Mah", não apenas por estar a meu lado e me suportar tanto, mas por ter atendido e visitado. E ela gostou. Espero que ela se torne mais frequente e opinante.
E agradecimentos à Renato-san. Ele fez um importante questionamento sobre a natureza desta obra. Ele tem um olhr aguçado, mas acredito que confundiu uma ou outra coisa. Natural. Obrigado pelo alerta.
Agradecimentos a Hebert "Frog" (pelo auxílio involuntário); A Júnior pela análise da narrativa; a Sandra[minha irmã] pela visita fugaz. E demais que eu possa ter distraidamente deixado de citar aqui.
Muito obrigado a todos vocês!
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